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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Bang, bang...

- Garota, Garota... acorda, vamos...
Acordei com Aninha batendo em meu rosto.
- O que aconteceu?
- Não sei, você olhou para o garçom, deu um grito e desmaiou.
- Xórgiii... cadê ele?
- Que Jorge o quê Garota... você quase mata o garçom de susto.
- Era ele sim Ana, eu vi, ele estava aqui.
- Não era não, olha aqui, esse é o Pierre. Foi para ele que você olhou.
Eu não estava doida, tinha certeza que era Jorge quem estava ali, mas como eu já havia tomado todas e mais algumas, achei por bem não prolongar esse papo.
- Vamos Ana, me leve de volta para o hotel, não estou me sentindo bem.
Cheguei ao hotel e fui para a banheira de hidromassagem, realmente esses dias não foram fáceis para mim. Mas ainda havia uma coisa que me intrigava. Aquele homem no Moulin Rouge era o Jorge sim! Eu tinha certeza absoluta que era. Mas o que ele estaria fazendo ali? Não acredito que ele trabalharia lá. Seria muita loucura, morar no Brasil e trabalhar em Paris, haja vale-transporte...
Resolvi não esperar o avião da noite rumo a Londres, o melhor que eu tinha que fazer era ir logo para lá. Decidi ir pelo Eurotúnel mesmo, apesar de achar um saco ter que ir para Calais para poder atravessar o Canal da Mancha, mas me animava o fato de parar em Folkestone, já no lado inglês.
Folkestone é uma cidadezinha agradável, terra de William Harvey, o descobridor da circulação do sangue.
Ainda bem que essa travessia só dura 35 minutos, fico agoniada quando esse trem saí da superfície, sempre tenho a impressão que algo pode acontecer lá dentro e eu ficar presa embaixo daquele montão de água...
Comprei um exemplar da Faces, tomei assento e procurei relaxar um pouco, tinha que parar de pensar em Jorge, afinal de contas eu estava indo me encontra com Edward. Nossa, será que está frio lá na fila do Ballet?
Uma das coisas que eu mais odeio é quando estou dentro do transporte lendo uma revista ou jornal e senta alguém ao meu lado e fica lendo comigo, e como sempre tudo aconteceu com essa Garota que vos fala, dessa vez não foi diferente. Mas esse rapaz não iria ler minha revista não!
- Il excuse M....
(Desculpa Senhor)
- Ta excusada, leio mais não, visse?
- Ó, o senhor é brasileiro?
- Sim, sou de Souza na Paraíba.
- Ai que tuuuuudo!!!! Eu adoro a Paraíba. O senhor mora em Londres ou em Paris?
- Eu moro em Paris mesmo.
- E o que faz aqui senhor?
- Estou a serviço. Qual a sua graça?
- Ó esqueci de me apresentar, muito prazer, Garota!
- Prazer Garota, meu nome é Daniel.
Fiquei conversando com Daniel, ele me falava de coisas bonitas da Paraíba e eu falava da Gorda Alzira para ele. Dani também achou que foi aquela gorda que colocou mau-olhado em mim.
Senti algo estranho no trem, parecia que ele estava diminuindo a velocidade, quando eu ia falar com Daniel sobre aquilo, o trem parou, as luzes se apagaram e eu comecei a gritar, o pânico tomou conta de mim, eu surtei. Só contive meu surto depois que ouvi o tiro. Céus! Deram um tiro dentro do trem!
As luzes se acenderam e do meu lado estava o corpo de Daniel, inerte e sem vida. Ele fora assasinado!
Meu vestidinho estava todo manchado de sangue, as pessoas gritavam feito loucos e minha única preocupação era saber se o tiro furou o trem. Isso não podia acontecer, se tivesse furado iria começar a entrar água nele.
Merda! Pensei.
- Fudeu tudo agora galera, se tiverem furado o teto do trem, além de borrar minha maquiagem vai estragar meu cabelo!

(Continua...)

2 comentários:

Adriano disse...

Oi Garota! que susto hein! quando falou da Paraiba ehehe achei que era eu, mas nãso queria ser assassinado não kkkkk
mas ainda bem que o Daniel morava em Souza, eu moro em Itabaiana,na paraiba kkkkk!!!!
Continnua a historia ta massa!

Lu disse...

ai caramba!!! quem matou o Dani???
aproveite que está em Londres e convide a Agatha Christie pra te ajudar nesse caso.

vou te contar uma coisa, Garota: vc tá cagada de urubu! tudo acontece com vc...

vc tem que fazer outra mandinga, mas dessa vez é pra proteção contra a Gorda Alzira.

bjus!